Um Conto em Uma Hora – Alvo em movimento



27 de fevereiro de 2012

Matheus Colen

Estou de volta com Um Conto em Uma Hora!! Dessa vez, faremos os contos com notícias também. Agora você tem mais uma opção para mandar sugestões para os contos do blog Labiar. Basta mandar o link de uma notícia, ou de uma foto publicada por portais de notícias, que eu faço uma história diferente sobre ela. O conto de hoje eu fiz com uma notícia inusitada que rolou na semana passada. Será que você consegue adivinhar qual é antes do fim do conto??

08h08


Alvo em movimento

O lugar se parece com uma sala de controle mestre de um edifício ultra-moderno, lembra até uma cabine de avião, ou um switcher de televisão. Duas pessoas trabalham sob um clima tenso. Não desperdiçam palavras, dizem somente o necessário para o cumprimento da tarefa que lhes foi dada. O silencio escorre pelas paredes metálicas do ambiente. É a primeira vez que essa dupla sai para campo, e logo de cara recebem uma missão muito importante. Eliminar um alvo político. Eles não podem falhar.

- Latitude?

- menos três, quarenta, dezoito.

- Longitude?

- menos quarenta e três, seis, cinquenta e oito.

- Checar propulsor de projétil elétrico.

- Conexão ativa.

- Canhão calibrado em 5… 4… 3… 2… 1…

- Calibragem, ok.

- Checando pressão…

- Pressão, ok.

- Carregando munição…

- Munição, ok. Recarga autorizada.

- Canhão carregado em 5… 4… 3… 2… 1…

- Canhão carregado.

- Carga elétrica da munição.

- Está em zero.

- Elevar para cinquenta.

- Elevando carga elétrica da munição.

- Cinco por cento…

Dois profissionais bem treinados podem desempenhar as mais difíceis tarefas sem deixar cair uma gota de suor. Apesar de bem treinados, esse não é o caso da nossa dupla de amigos. Alfredo sua em bicas. Pires já até molhou as roupas de baixo. O fato de não existir ar condicionado na pequena cabine de controle faz com que os dois amigos percam as calorias extras que carregam no abdómen. Eles só não emagrecem mais pois uma boa parte do peso já foi convertido em fezes, o que impossibilita a eliminação por suor. Apesar de que o dono de um olfato mais apurado poderia duvidar disso.

- Trinta por cento…

Os outros colegas da coorporação secreta ficaram felizes quando o comandante escalou essa dupla. Ninguém aguentaria dividir por tantas horas uma cabine tão pequena com eles. Essa fama começou na primeira vez em que Pires fez o teste do simulador. O coitado foi pego de surpresa por um ataque repentino de flatulências. Os jatos de gases saíam com tanta pressão que o barulho era inevitável, até mesmo pelos intestinos mais experientes.

- Cinquenta… e cinco… por cento…

Mas não foi o barulho que fez seu colega de coorporação desmaiar na cabine.

- Se.. tenta.. por.. cento…

Pires só não desistiu de tudo pois encontrou alguém que se identificou perfeitamente sua situação. Enquanto todos riam de Pires, Alfredo sentia cumplicidade.

- Oi.. ten.. ta… e… cinco… por… cento…

Alfredo olha para o lado e percebe o esforço do colega para não repetir o fato traumatizante. A compaixão é um sentimento praticado somente pela mais nobre das almas.

- Ei.. Pires. Pode soltar cara. Tudo bem.

- Não posso… vai.. comprometer… a…. missão…

- Relaxa cara. Se você continuar segurando vai passar mal. Não posso pilotar e atirar ao mesmo tempo.

- No… venta… e cin… co… por.. cento…

- Você tá ficando roxo cara. Larga mão. Se alivia logo.

- Car…ga… comple…ta…

- Canhão preparado e carga carregada. Pré-ativar gatilho.

Bip! Bip! Bip!

- Checar alarme.

- Che… can…do… alarme…

Bip! Bip! Bip!

- Situação do alarme?

- Só… um… minuto…

Bip! Bip! Bip!

- Pires, qual é a situação do alarme?

- Al..vo.. em… movi… men…to…

- Corrigir direção do canhão. Latitude?

- menos… três.. trinta… e… nove… dezoito… vírgula.. sete…

- Pires, você tá demorando muito. Longitude?

- menos… quarenta… e… um… três.. seis… vír… gula… cin…co…

- Travando canhão.

Bip! Bip! Bip!

- Checar alarme.

Pires não quer dar o braço a torcer. Alfredo está determinado a cumprir a missão e ganhar crédito com seu comandante. É no momento em que Pires se vira para o lado para checar o alarme, que Alfredo percebe a oportunidade de resolver o problema do colega.

- Al..vo… em… mo.. vi… men…

A barriga está exposta e o bunda levemente levantada. Alfredo não pensa duas vezes e soca a pança do cadete.

Prrrrrrrrruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuufffffffffffffffffffffffffffffffff

- Aiiiii!!!

Ppprrróóóóóeeeeeeeeõõõíííí

- Idiota, o que você fez? Aiiii

Prrrrúúúú

O ar ficou pesado. Ao contrário do que podia imaginar, Alfredo não foi capaz de suportar a marofa exalada por Pires. Além do cheiro, germes e clorifórmios fecais conseguiram finalmente se libertar do labirinto intestinal. O cheiro forte estimula de maneira tão intensa o olfato, que o cérebro é inundado por descargas elétricas. Cargas muito altas derrubam o sistema. Alfredo desmaia. Ao deixar o corpo inerte, ele esbarra no gatilho e dispara acidentalmente a arma. Pires demonstra muito habilidade para fazer uma perigosa manobra de retorno. Ele chega à base a tempo de salvar a vida de seu colega, mas fugir da gozação vai ser impossível. Na sala do comandante, uma manchete toma a tela do computador.

Esfera cai do céu e assusta moradores do Maranhão

09h05

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Um Conto em Uma Hora – Rebeldia



26 de setembro de 2011

Por Matheus Colen

O conto de hoje veio de uma cena que vi na rua…

18h42

Rebeldia

- Vocês vão querer mais uma?
- Pode trazer Zezão. Traz também aquele torresminho. Você já comeu o torresminho daqui?
- Nunca.
- Você não tem problema do coração não, né?
- Que eu saiba não. Mas e aí? Termina a história.
- Então, coitado do homem. Ficou desolado quando eu mostrei o resultado. Sabe, com tantos anos nessa profissão eu aprendi a dar uma notícia ruim para meu cliente de uma maneira a não deixá-lo muito triste. Lógico que nunca vou mentir, eles pagam muito caro pelo trabalho de espionagem e devem saber a verdade sempre! Mas com o tempo a gente vai amolecendo o cabra, pra poder dar a notícia assim de uma maneira delicada, sabe? Mas com esse daí não teve jeito, o homem ficou arrasado.

No dia anterior

- Receio que lhe trago más notícias doutor.
- O que você viu? Vai, me conta! Estou com muitas dúvidas na minha cabeça, não aguento mais isso. Não sei o que vou fazer se tiver uma filha lésbica.
- Antes de tudo é preciso ter mais calma nesse momento, meu caro doutor. Não é preciso ficar preocupado dessa maneira com fatos tão corriqueiros e que estão se disseminando cada vez mais na nossa sociedade. Pense, meu senhor, quantos filhos e filhas de pessoas que você conhece são homossexuais? Com certeza você sabe de alguns. Isso sem falar naqueles que ficam escondidos com medo da opressão que podem sofrer de membros mais antiquados da nossa sociedade. Membros que, em sua maioria, pertencem a geração do senhor. Essas dúvidas não rondam somente a sua cabeça Doutor Magalhães. Muitos de seus contemporâneos são meus clientes também.
- Você está tentando me consolar. Se está falando isso é porque ela é lésbica mesmo. (…) O senhor tem filhos?
- Não.
- O senhor já se casou?
- Não.
- Então também não se separou?
- Logicamente que não Doutor Magalhães. Onde quer chegar?
- Eu me separei quando ela tinha dois anos. Quando casei, eu tinha muitas dúvidas, não sabia se daria certo, mas mesmo assim eu tentei. Meu esforço não deu resultado e o casamento acabou muito rápido… muito rápido. A Isabela era tão nova… não podia deixá-la viver com a mãe. Aquela mulher não passava de uma grande irresponsável. Então resolvi que eu a educaria para ser uma mulher diferente, correta, séria, competente. Se ela for mesmo lésbica, então eu falhei mais uma vez… mais uma vez…
- Preciso discordar do doutor sobre esse ponto de vista, mas não posso discordar da realidade. Sua filha é realmente lésbica Doutor Magalhães. Ela tem um caso com uma colega da colégio. Elas são da mesma série, mas de turmas diferentes. O relatório da investigação e as fotos estão neste CD. A amiga dela é filha de outro desembargador, assim como o senhor. Não recomendo ao doutor ver as fotos, pelo menos não até que você saiba aceitá-la do jeito que ela é.
- Obrigado Silveira. Apesar de não gostar da notícia que me traz, você fez um bom trabalho. Vou seguir o seu conselho, mas você poderia me falar ao menos o que viu?
- Como queira doutor. Você deixou ela na escola por volta das 6h45. Ela e a amiga pularam um muro atrás do ginásio por volta das 9h00 e foram dali para uma praça que fica num bairro vizinho. Elas pegaram um ônibus, depois andaram algumas quadras a pé, como duas amigas comuns fazem.
- E então?
- Elas passaram boa parte da manhã sentadas sob uma das árvores. A grama estava seca, a brisa leve e elas estavam muito contentes de estar ali. Davam risadas, faziam brincadeiras, até que começaram a se beijar. Elas trocaram muitas carícias, depois se deitaram uma sob a outra e ficaram assim por mais de meia hora.
- Eu sabia… que droga!! Pra quê isso? Não tem motivo. Não tem motivo!!
- Doutor, você precisa observar que a geração delas possui um grande problema. Na sua época era diferente. Você pôde ficar com várias mulheres antes de se casar, assim como sua ex-esposa também ficou com outros homens. No caso delas, não há oferta no mercado. Para você ter uma ideia, isso está no meu relatório, na sala da sua filha, 15 dos 18 meninos são inegavelmente gays. Todos sabem, apesar de que alguns deles ainda não se descobriram. Na sala da amiga dela, outros 10 também são. Os garotos que sobram sempre ficam com as meninas mais bonitas da escola, que geralmente são de séries mais avançadas. Elas não tem opções doutor.
- Droga.. droga… Obrigado Silveira, preciso pensar no que fazer agora.
- Uma sugestão doutor. Não coloque ela em internatos, é um caminho sem volta.

No bar

- Caramba, coitado do homem. Ele deve estar se sentindo um derrotado.
- Pois é, mas é por uma viagem da cabeça dele.
- Mas me fala uma coisa. Como você tem tanta certeza de que os colegas de turma delas são gays?
- Simples, são todos São Paulinos.
- Você não está falando sério, né?
- Com licença. A porção dos senhores.
- Claro que não, isso foi só uma coincidência. Eu consigo reconhecer um gay pelo jeito como ele serve o torresmo.
- Como você é besta Silveira. Vão querer outra cerveja?
- Não, chega. Pra mim chega. Silveira, eu acho que você não passa de um picareta que enganou mais um trouxa.
- Não sou picareta, as pessoas é que não sabem lidar com a verdade.
- Silveira, esse caso é igual a você comendo esse torresmo. Pura rebeldia. Sabe que não pode, mas faz por rebeldia. Só isso. E você ferrou a vida do cara com esse discurso.

No quarto

Querido diário. Acho que finalmente consegui fazer com que aquele investigador gordinho que meu pai contratou tirasse uma foto minha com a Sil. Foi o único jeito de dizer isso pra ele. O velho não sabe me ouvir, nunca vai conseguir me entender. Agora preciso estar preparada, acho que minha vida nessa casa se tornará infernal daqui pra frente. Amo muito meu pai, se ao menos pudéssemos conversar abertamente. Se as coisas piorarem muito acho que vou pirulitar daqui…

(Toc, toc)
- Filha, podemos conversar..
- Justo agora?
- Sim..
- Sobre?
- É uma coisa que tenho percebido nesses últimos tempos.
- Que coisa?
- É que… eu tenho pensado que… talvez…
- Tá engasgando porquê? Não sabe o que falar?
- Desculpe.. depois falamos..
- Dãããrrr.

19h45

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Um Conto em Uma Hora – O clã Mão Amiga



14 de setembro de 2011

Por Matheus Colen

Olá pessoal. Pra quem já sabe o que aconteceu comigo na semana passada, vai entender o motivo desse conto de hoje. Sofri um acidente, nada grave, que vai me ajudar com vááários temas para nossa brincadeira aqui do Um Conto em Uma Hora. Confesso que digitar com o gesso é algo muito chato, mas pelo menos ainda consigo escrever. Divirtam-se. Se tiverem mais sugestões relacionadas com esse tema, coloquem lá na nossa página do Facebook!

11h13

O clã Mão Amiga

11h13
- Ei, precisa de uma ajuda aí?
- Falou comigo?
- Sim, você tá todo torto aí com esses braços engessados. Quer ajuda?
- Cara, estamos no banheiro masculino. Tem certeza que você quer me ajudar?
- Se você não quer ajuda, tudo bem. Só cuidado pra não se mijar todo aí.
- Você me ajudaria mesmo?
- Claro que sim, não gosto de ver as pessoas sofrendo por besteira. Já passei por isso também.
- Você não é gay não, né?
- Não. Sou casado e tenho um filho. Olha a foto dele. Está com 10 anos já.
- Isso não me garante que você é hetero. Tem um monte de homem casado e com filho que dá ré no kibe.
- Cara, te dou minha palavra de que não sou viado.
- Qual foi a última mulher gostosa que você viu?
- A recepcionista do restaurante. Adoro esses terninhos decotados.
- Era uma loira?
- É.
- Ela é gostosa mesmo. Você viu a calcinha dela?
- Cavada.
- Nossa que delícia. Ela tem jeito de ser safada. É melhor eu parar de pensar nisso.
- Também acho. E aí? Posso te ajudar agora?
- Pode.
- Você não conseguiu nem abaixar o zíper?
- Já tentou fazer isso com os dois braços quebrados?
- Tá bom. Relaxa! Vou abaixar aqui… e pegar aqui assim…
- …
- Pronto. Pode mijar.
- …
- Estou te apertando?
- Não, não. Está ótimo.
- Então tá! Pode fazer.
- …
- E aí?
- E aí o quê?
- Não vai mijar?
- Não vou conseguir fazer com essa pressão toda.
- Tá bom cara. Relaxa. Isso é normal.
- Olha pro outro lado. Pode ser?
- Tudo bem. Se eu ficar com torcicolo você paga a massagista.
- …
- E aí? Deu certo?
- Estou segurando o xixi faz tanto tempo que não consigo mais mijar.
- Tudo bem, fica tranqüilo. Olha, eu já passei por uma situação parecida. Não precisa ficar nervoso.
- O que te aconteceu?
- Acidente de carro. Fiquei de cama quase 3 meses. Fiz quatro cirurgias. Aliás, acabei de lembrar de uma coisa que as enfermeiras faziam.
- Ei, onde você vai?
- Calma, vou pegar água.
- Na torneira? Cara, eu não vou tomar essa água.
- Não é pra você beber. Vou molhar teu pinto.
- E isso vai me fazer mijar?
- Acho que pode ajudar.
- Bom, vamo lá. Não tenho muita opção mesmo.
- Você consegue segurar ele assim?
- Acho que sim.. peraí.
- Pronto. Vou jogar a água tá? Tenta não pensar em nada. Livra sua mente. Se concentra apenas na água. Esquece do resto, beleza?
- Beleza.
- Vamo lá.
- Aiii cacete!!
- O que foi?
- Porra, tá gelada pra burro!
- Cara, minha mulher está me esperando. É sua última chance de fazer esse xixi.
- Tá bom vai, molha de novo.
- Lá vai.
(xxxxiiiiiiiiiiiiiii)
- AAAaaahhhhhhhhhh
(xxxxiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii)
- Aê! Que beleza hem! Isso é que é uma mijada boa!
(xxxxiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii)
- AAAaaahhhhhhhhhhh
- …
(prrrruuuuu!!)
- Ei, peidar é sacanagem.
(xxxxxiiiiiiiiiiiiii)
- Cara, como é bom isso! Acho que fiquei o dia todo sem mijar.
(xxxiiiii… xiiiii… xii.. xii)
- Percebi.
(xi.. xi)
- Vai rolar uma balançadinha?
- Tem certeza disso?
- Por favor.
- Tá bom.
(plonk)
- Opa! Boa noite. Posso usar o banheiro também ou vocês preferem privacidade?
- Cara, não é nada disso que você está pensando.
- Ei amigo, fica tranqüilo. Esse daí é o Carlão. Ele me ajudou também quando sofri meu acidente. Agora você faz parte do nosso clã.
- Muito prazer senhor…
- Arnaldo.
- Arnaldo. Muito bem. Enfim, nós te vimos entrar no restaurante e pensamos que precisaria de ajuda. Quer que eu feche o zíper?
- Ah… por favor.
- Como você aceitou a minha ajuda, você agora já faz parte do clã Mão Amiga.
- Tome, use esse colar. O símbolo do pingente é um código. Sempre que você precisar de ajuda haverá alguém do clã por perto.
- Nossa que legal. E vocês são tantos assim para estarem me vigiando?
- Não precisamos te vigiar, somos muitos. Estamos em todos os lugares.
- E depois que eu melhorar. Jogo o pingente fora?
- Não, ele é seu agora, guarde com você. Quando estiver melhor, terá muitas chances de retribuir o favor que recebeu.
- E como vocês saberão se ainda faço parte do clã.
- Ninguém deixa o clã Mão Amiga. Lembre-se, estamos em todos os lugares. Se você não retribuir o favor, devolvemos a você seus braços quebrados.
- Foi um prazer Arnaldo. Se quiser leve sua esposa até minha mesa. Podemos combinar um passeio de casais.
- Até logo Arnaldo. Que nossas mãos estejam contigo.
- Que nossas mãos estejam contigo.
- Mas que p…
- De volta a mesa do restaurante.
- Nossa amor, você demorou. Porque não me pediu ajuda?
- Acabei de me arrepender de não ter te pedido.
- Ah! Você está usando o pingente. Olha, eu também tenho.
- Você também tem?
- Sim.
- Porque nunca me falou?
- Oras, é secreto. Não te explicaram as regras?
- Que regras?
- Regra número 1, você não fala sobre o clã Mão Amiga. Regra número 2, nunca esqueça da regra número 1.
- Me diz que isso é um pesadelo, por favor, me diz.
- Amor não fica assim. Seu vinculo com o clã só estará completo quando alguém te ajudar a fazer o número 2. Ainda dá tempo de você sair.
- Mas o tal do Carlão lá me disse que quebrariam meus dois braços de novo se eu saísse.
- Você pediu pra um estranho dar a balançadinha?
- Como você sabe?
- Essa é uma regra da ala masculina. Seu vínculo se completa com o número dois ou com a balançadinha. Amor não acredito que você pediu pra alguém que você nunca viu antes balançar seu pinto.
- Que droga. Podemos parar de falar nisso?
- …
- Ei, o que foi? Que cara é essa?
- Você é gay?
- Claro que não!
- Arnaldo, se você me trair com um homem, eu juro que chamo o clã das Adagas Voadoras e arranco teu pinto fora!
- Da próxima vez vou usar fraldas…
12h23

- Ei, precisa de uma ajuda aí?
- Falou comigo?
- Sim, você tá todo torto aí com esses braços engessados. Quer ajuda?
- Cara, estamos no banheiro masculino. Tem certeza que você quer me ajudar?
- Se você não quer ajuda, tudo bem. Só cuidado pra não se mijar todo aí.
- Você me ajudaria mesmo?
- Claro que sim, não gosto de ver as pessoas sofrendo por besteira. Já passei por isso também.
- Você não é gay não, né?
- Não. Sou casado e tenho um filho. Olha a foto dele. Está com 10 anos já.
- Isso não me garante que você é hetero. Tem um monte de homem casado e com filho que dá ré no kibe.
- Cara, te dou minha palavra de que não sou viado.
- Qual foi a última mulher gostosa que você viu?
- A recepcionista do restaurante. Adoro esses terninhos decotados.
- Era uma loira?
- É.
- Ela é gostosa mesmo. Você viu a calcinha dela?
- Cavada.
- Nossa que delícia. Ela tem jeito de ser safada. É melhor eu parar de pensar nisso.
- Também acho. E aí? Posso te ajudar agora?
- Pode.
- Você não conseguiu nem abaixar o zíper?
- Já tentou fazer isso com os dois braços quebrados?
- Tá bom. Relaxa! Vou abaixar aqui… e pegar aqui assim…
- …
- Pronto. Pode mijar.
- …
- Estou te apertando?
- Não, não. Está ótimo.
- Então tá! Pode fazer.
- …
- E aí?
- E aí o quê?
- Não vai mijar?
- Não vou conseguir fazer com essa pressão toda.
- Tá bom cara. Relaxa. Isso é normal.
- Olha pro outro lado. Pode ser?
- Tudo bem. Se eu ficar com torcicolo você paga a massagista.
- …
- E aí? Deu certo?
- Estou segurando o xixi faz tanto tempo que não consigo mais mijar.
- Tudo bem, fica tranqüilo. Olha, eu já passei por uma situação parecida. Não precisa ficar nervoso.
- O que te aconteceu?
- Acidente de carro. Fiquei de cama quase 3 meses. Fiz quatro cirurgias. Aliás, acabei de lembrar de uma coisa que as enfermeiras faziam.
- Ei, onde você vai?
- Calma, vou pegar água.
- Na torneira? Cara, eu não vou tomar essa água.
- Não é pra você beber. Vou molhar teu pinto.
- E isso vai me fazer mijar?
- Acho que pode ajudar.
- Bom, vamo lá. Não tenho muita opção mesmo.
- Você consegue segurar ele assim?
- Acho que sim.. peraí.
- Pronto. Vou jogar a água tá? Tenta não pensar em nada. Livra sua mente. Se concentra apenas na água. Esquece do resto, beleza?
- Beleza.
- Vamo lá.
- Aiii cacete!!
- O que foi?
- Porra, tá gelada pra burro!
- Cara, minha mulher está me esperando. É sua última chance de fazer esse xixi.
- Tá bom vai, molha de novo.
- Lá vai.

(xxxxiiiiiiiiiiiiiii)

- AAAaaahhhhhhhhhh

(xxxxiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii)

- Aê! Que beleza hem! Isso é que é uma mijada boa!

(xxxxiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii)

- AAAaaahhhhhhhhhhh
- …

(prrrruuuuu!!)

- Ei, peidar é sacanagem.

(xxxxxiiiiiiiiiiiiii)

- Cara, como é bom isso! Acho que fiquei o dia todo sem mijar.

(xxxiiiii… xiiiii… xii.. xii)

- Percebi.

(xi.. xi)

- Vai rolar uma balançadinha?
- Tem certeza disso?
- Por favor.
- Tá bom.

(plonk)

- Opa! Boa noite. Posso usar o banheiro também ou vocês preferem privacidade?
- Cara, não é nada disso que você está pensando.
- Ei amigo, fica tranqüilo. Esse daí é o Carlão. Ele me ajudou também quando sofri meu acidente. Agora você faz parte do nosso clã.
- Muito prazer senhor…
- Arnaldo.
- Arnaldo. Muito bem. Enfim, nós te vimos entrar no restaurante e pensamos que precisaria de ajuda. Quer que eu feche o zíper?
- Ah… por favor.
- Como você aceitou a minha ajuda, você agora já faz parte do clã Mão Amiga.
- Tome, use esse colar. O símbolo do pingente é um código. Sempre que você precisar de ajuda haverá alguém do clã por perto.
- Nossa que legal. E vocês são tantos assim para estarem me vigiando?
- Não precisamos te vigiar, somos muitos. Estamos em todos os lugares.
- E depois que eu melhorar. Jogo o pingente fora?
- Não, ele é seu agora, guarde com você. Quando estiver melhor, terá muitas chances de retribuir o favor que recebeu.
- E como vocês saberão se ainda faço parte do clã.
- Ninguém deixa o clã Mão Amiga. Lembre-se, estamos em todos os lugares. Se você não retribuir o favor, devolvemos a você seus braços quebrados.
- Foi um prazer Arnaldo. Se quiser leve sua esposa até minha mesa. Podemos combinar um passeio de casais.
- Até logo Arnaldo. Que nossas mãos estejam contigo.
- Que nossas mãos estejam contigo.
- Mas que p…

De volta a mesa do restaurante.

- Nossa amor, você demorou. Porque não me pediu ajuda?
- Acabei de me arrepender de não ter te pedido.
- Ah! Você está usando o pingente. Olha, eu também tenho.
- Você também tem?
- Sim.
- Porque nunca me falou?
- Oras, é secreto. Não te explicaram as regras?
- Que regras?
- Regra número 1, você não fala sobre o clã Mão Amiga. Regra número 2, nunca esqueça da regra número 1.
- Me diz que isso é um pesadelo, por favor, me diz.
- Amor não fica assim. Seu vinculo com o clã só estará completo quando alguém te ajudar a fazer o número 2. Ainda dá tempo de você sair.
- Mas o tal do Carlão lá me disse que quebrariam meus dois braços de novo se eu saísse.
- Você pediu pra um estranho dar a balançadinha?
- Como você sabe?
- Essa é uma regra da ala masculina. Seu vínculo se completa com o número dois ou com a balançadinha. Amor não acredito que você pediu pra alguém que você nunca viu antes balançar seu pinto.
- Que droga. Podemos parar de falar nisso?
- …
- Ei, o que foi? Que cara é essa?
- Você é gay?
- Claro que não!
- Arnaldo, se você resolver dar ré no kibe e me trair com um homem, eu juro que chamo o clã das Adagas Voadoras e arranco teu pinto fora!
- Da próxima vez vou usar fraldas…

12h23

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Um Conto em Uma Hora – Um tema na pinta de Eri Johnson



25 de agosto de 2011

Por Matheus Colen

Esse foi interessante. Eu comecei a escrever um conto metalinguístico e no meio chegaram duas sugestões do Ariel. Casou direitinho na história! hehe. Espero que gostem…

20_MHG_eris

15h03

Um tema na pinta de Eri Johnson.

- Ôu… Psiu!!
- (…)
- Ei, você… É você, vem cá!
- Pois não?
- Escuta. Tô vendo você aí parado, você tá esperando também?
- Esperando o quê?
- Um tema.
- Um tema?
- É, um tema.
- Tema pra quê?
- Como assim pra quê? Tá doido?
- Doido é você. Me perguntando se eu to esperando um tema. Nem te conheço!
- E por acaso precisa me conhecer pra esperar o tema?
- Desculpa aí colega, você é meio maluco. Me dá licença!
- Tá vendo?
- (…)
- Eu sabia!
- (…)
- Você não tá esperando. Você já tem né?
- (…)
- Tem um tema e não quer compartilhar.
- (…)
- Pois saiba que você está por fora cara. A onda de hoje em dia é compartilhar. Tá na moda essa parada aí. E não esse lance capitalista da posse. Você chegou aqui primeiro do que eu, pegou o tema pra você e não quer compartilhar.
- (…)
- Viu como eu estou certo? Você nem abre a boca pois tem medo de deixar ele escapar.
- (…)
- E se você tem medo é porque sabe que eu vou tratar dele melhor do que você. É muito feio isso cara! Você não pode aprisionar um tema assim.
- Meu senhor! Sabe o que acontece? Vou te contar. Eu estava aqui parado esperando o trem e de repente apareceu um maluco…
- Sei,continue…
- Você não tem nem idéia de quem era o maluco?
- Era o cara que compartilhou o tema com você e que você não quer compartilhar comigo.
- Não. O maluco é um cara que acha que eu tenho um tema pra dar pra ele.
- Então se não foi esse maluco que te deu o tema, quem foi?
- Eu não tenho um tema meu Deus do céu!!
- Você tá mentindo.
- Puta merda, hoje é meu dia viu?
- Sabe como eu sei que você está mentindo?
- Como?
- Sua mão tá no bolso do casaco esse tempo todo.
- É claro, tá fazendo frio.
- Não. Você está com o tema anotado num papel, que está dentro da sua mão.
- Claro que não!
- Claro que sim. Tira a mão do bolso então!
- Aqui, olha. (…) Tá vendo? Não tem nada.
- E a outra?
- Aqui, pode olhar. (…) Não tem nada também.
- Você é um mágico.
- Ah, para com isso!
- Cara, entenda uma coisa. Eu preciso do tema. Eu já sabia que ele ia aparecer por aqui. Você chegou primeiro e pegou ele pra você. Se você vai ficar de brincadeiras comigo, vou ter que roubar ele de você.
- Como é esse tema que você está procurando?
- O tema não tem formato. Nunca sei como ele é. Ele simplesmente aparece. E quando aparece, de alguma maneira eu sei que ele chegou.
- E porque você acha que está comigo?
- Por que eu sinto que está com você. Me passa o tema!
- Peraí, vamos conversar. Me fala mais desse tal tema aí, e eu te ajudo a encontrar.
- Me passa o tema! Se não eu corto sua garganta.
- Com uma caneta bic?
- Não subestima! Já fiz uma traqueostomia com ela. Me passa o tema!
- Não tem um segurança nessa merda?
- Me passa o tema!!!
- Olha, eu juro que não tá comigo, ele veio aqui, falou comigo, mas não me entregou.
- Eu sabia! Onde ele está?
- Tá vendo aqueles dois caras ali?
- Sim.
- É o cara que está com a bola de vôlei. Ele tem uma pinta enorme no rosto.
- E o tema está onde?
- Tá na pinta.
- Olha, se não estiver lá, eu volto aqui, acabo com você e uso isso como tema, entendeu?
- Sim, sim.
- Porquê é tão difícil essa profissão??.

Cinco metros adiante…

- Então Aguinaldo, eu estou meio inseguro com esse lance de aparecer sempre jogando vôlei na praia. Eu queria um papel que me desse mais status.
- Confia em mim Eri. Você é um ótimo ator, status não lhe falta. Ainda mais de sunga na praia jogando vôlei. As pessoas vão adorar você nesse papel de mulherengo. Dá audiência. Confia em mim.
- Será? Poxa, eu estava querendo algo assim mais profundo, sabe? Queria um personagem que me fizesse remoer as entranhas do ser e do estar, do ir e do vir. Que me ajudasse a extrapolar esses limites que temos na interpretação. Mas um mulherengo? Não sei…
- Meu amigo, você já fez tantos papéis. Eu lhe garanto que nenhum dos seus personagens vai te dar mais retorno do que esse. A assessoria de imprensa já divulgou umas fotos suas por aí, vai ser ótimo. Olha, já temos até um fã te olhando..
- Onde?
- Do seu lado aí…

Eri se vira, o homem disfarça.

- Aguinaldo, ele não estava me olhando.
- Claro que estava. Ele quase enfiou o nariz na sua pinta. Acho que ficou com vergonha. Olha, ele está criando coragem.
- E esse trem que não vem hem!
- Pois é amigo. A gente tá aqui faz um tempão e nada.
- Será que ele vem daquele lado de lá?

Eri e Aguinaldo se viram para a direita. O homem tenta ler a pinta, mas não consegue.

- Não. Não é não. Eu acho que ele vem daquele lado de lá.
- Eu também acho Eri. A última vez que peguei esse trem ele veio de lá.
- Me desculpem, vocês estão errados. Me parece óbvio que o trem vem daquele lado lá, e não deste aqui. Basta olhar atentamente aquela placa lá. Tá vendo?

Todos olham para a direita novamente. O homem arriscou bem na segunda tentativa, mas demorou demais para ler a pinta. Quando Eri se virou novamente, deu uma bochechada no homem.

- Ei! Tá doido. Aguinaldo, ele tentou me beijar.
- Meu Deus. Isso é assédio! Cadê os seguranças?
- Agora chega! Me dá essa pinta aqui!

No jornal das oito da noite seguinte.

- Voltamos agora com uma notícia que é, no mínimo, curiosa.
- Você com certeza já deve ter ouvido aquela história de que com uma caneta bic é possível improvisar uma traqueostomia. Mas remover uma pinta? Isso é inédito, não é? Bem. Não é mais!
- O ator Eri Johnson foi atacado por um fã no metrô na noite de ontem. Ele, que vai interpretar um mulherengo na nova trama de Aguinaldo Silva, teve a pinta removida por um fã que usou a tampa de uma caneta bic como bisturi.
- O homem, que ainda não foi identificado pela polícia, disse em depoimento, que não reconheceu o ator e que nem gosta de novelas. Ele justificou o ataque como consequência do efeito colateral da anestesia que um dentista havia lhe aplicado horas antes para remover um dente. O advogado de defesa já informou que vai alegar insanidade mental do réu.
- O dentista continua foragido, assim como a pinta de Eri.

16h01

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Um Conto em Uma Hora – Meteoro da paixão radical



25 de agosto de 2011

Por Matheus Colen

Eu havia prometido dois contos para hoje. Um já está pronto, é uma história de amor. Eu dedico esse para todas as fãs do Luan Santana, rs. Mandem sugestões para o próximo!!!

10h56

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Meteoro da paixão radical.

O maior desejo de Joe é se tornar skatista profissional. E não é pelo glamour que uma estrela do esporte radical pode possuir, ou pelo dinheiro que as competições e os patrocínios podem trazer. É por gostar de skate mesmo. Por isso ele treina cerca de quatro horas por dia. Não é uma rotina fácil. Pancadas nas canelas, ralados nos braços e nas mãos. De vez em quando uma luxação aqui, uma torção ali, mas uma coisa é fato: a cada dia que passa Joe melhora no skate. Esse progresso todo pode ser facilmente percebido pelos comentários das meninas que frequentam a pista do bairro.

- Nossa, não sabia que o Joe andava tão bem patins.
- É skate sua tonta! E ele anda bem mesmo.
- Será que se eu ficar com ele, vão me chamar de Maria Rolamento?
- Se vocês continuarem falando besteira desse jeito, eu vou dar porrada nas três e aí as pessoas vão chamar vocês de Marias Ataduras!

Como o principal objetivo de Joe era se tornar um profissional no esporte, ele demorou para perceber que sua popularidade estava aumentando. E quanto mais ele treinava, mais ele atraía as atenções.

- Nossa, quando o Joe anda sem camisa, eu piro!
- Eu adoro esse cabelo sujo e fedido que ele tem.
- Ah, eu gosto quando ele faz aquele kickflip três meia ‘to indy’ com um pé só, tirando o tênis no ar e caindo de ‘nose manual’. Tudo isso assoviando Luan Santana. Ahhhh.. Meteoro da paixão….
- Arrg. Como eu posso ser amiga de vocês? Vocês não passam de Marias Rolamentos mesmo. Vou pra pista que eu ganho mais…

Depois de um ano inteiro de treino intensivo, Joe estava preparado para correr o primeiro campeonato de skate street amador. Era um momento de glória. Ele conhecia a pista como ninguém, treinava como ninguém, mas andava como alguém. A session era perfeita! Ficou muito difícil ganhar do cara. Ninguém conseguiu. Joe fez pontuação recorde na pista. Levou a primeira colocação em todas as baterias e também levou o prêmio de melhor manobra. Vários fotógrafos registraram as estripulias de Joe e seus dreadlocks esvoaçantes. Os jornalistas que cobriram o evento falaram muito bem do ‘novo talento do skate paulistano’. Ao subir no primeiro degrau do pódio ele teve o grande momento de glória. E como todo trabalho bem feito recebe uma recompensa, ali de cima ele podia procurar a dele. Enquanto recebia a medalha Joe olhava atentamente para a platéia. Várias meninas escandalosas na primeira fila, algumas perdidas no meio da galera. Umas feias, outras bonitas, umas grandes, outras pequenas, mas somente uma delas ainda estava de capacete. De todas as meninas do bairro, a que mais observava Joe era a Juliana. Logo que começou a andar de skate, ela percebeu que poderia aprender muito observando o melhor skatista local. E agora, curiosamente a situação se inverteu. Enquanto todos olhavam para o pódio, Joe olhava para Jú. E dali de cima, ele foi a única pessoa a ver a garota acertar pela primeira vez um kickflip três meia ‘to indy’ com um pé só tirando o tênis no ar, caindo de ‘nose manual’ e assoviando Luan Santana. Era a manobra que ele tinha inventado. O meteoro da paixão não falha! Depois da premiação, Joe dispensou todas as fãs, colocou novamente o capacete, subiu no skate e se aproximou de Juliana. Ela estava tão concentrada para acertar novamente a manobra que nem percebeu a aproximação daquele ninho de abutres, ou melhor, de Joe e seus dreadlocks. Jú chutou o kickflip três meia perfeitamente, pegou na prancha ‘to indy’ com muito estilo sem um pé no skate, então deu sequência na manobra tirando o tênis no ar e quando caiu de ‘nose manual’ ela já estava sem fôlego para assoviar. Foi quando ouviu uma voz conhecida, mas que até então nunca havia se direcionado a ela.

- “Te dei o sol, te dei o mar, pra ganhar seu coração”.

Enquanto todos aplaudiam o beijo do casal, outras três meninas resmungavam.

- Não acredito que ele dispensou a gente e vai ficar com ela!!
- Só por que a gente não anda de patins.
- Mas que lástima… Não vou explicar mais.

11h51

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Cinco Poesias Antigas – Desculpe, dançarina



23 de agosto de 2011

Por Matheus Colen

Eis a última poesia antiga de minha gaveta. Essa eu escrevi numa época em que eu estava trabalhando muito e havia parado de escrever meus textos. Escrevia somente para trabalhar. Isso para quem escreve é como se afastar de si próprio. Foi duro reconhecer, mas hoje não cometo mais esse tipo de erro. Aprendi que uma coisa completa muito bem a outra.

Desculpe, dançarina

Vontade de você, Dançarina.
Não entendo o porquê da prisão.
Hoje olho para trás,
E vejo que estive sem razão.

Coisas da vida, Dançarina.
Pensei que irias me fazer falhar.
Afastei-te de mim,
Para não me prejudicar.

O que fui fazer, Dançarina.
A existência se tornou opaca,
Vivi para trabalhar.
Amarguei sentimento de ressaca.

Acredite, Dançarina.
Fizeram-me perceber,
Nesse tempo de recesso,
Que sua saudade machuca!

Liberte-se, Dançarina.
Esteja livre para ser.
A falha é meu progresso.
Já não experimento amargura!

Dance, Dançarina.
Faça o que bem entender.
Mas por favor, eu te peço.
Livre-me desta ditadura!

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Cinco Poesias Antigas – Você me disse olá



22 de agosto de 2011

Por Matheus Colen

Essa é a quarta poesia da série. Eu escrevi isso como homenagem para minha avó ‘Tutu’ quando ela morreu. Se não me engano, foi no dia seguinte ao falecimento. Tenho muitas saudades dela até hoje.

Você me disse olá

Vim aqui para lhe dizer adeus,
Mas você me disse olá.
Contou uma história
E me fez relembrar

Daquele tempo de criança,
Que a vida não tinha preocupação
Tudo era alegria
E não havia frustração.

Agora estou aqui de pé,
Tento ser forte.
Vejo de perto seu descanso.
E lhe desejo sorte,

Em sua eternidade.
Peço a proteção,
Para os caminhos da vida.

Você viverá para sempre
Nas memórias de uma criança
Que jamais será esquecida.

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Cinco Poesias Antigas – A beleza de minha avó



21 de agosto de 2011

Por Matheus Colen

Essa é uma poesia com temática infantil. Escrevi como teste para um emprego. Passei no teste, mas recusei o emprego.. rsrs.

A beleza de minha avó

Minha avó me dizia,
Que quando a gente morre,
Volta no tempo,
Pra melhor época da nossa vida.

Ela também falava,
Que quando a gente nasce,
Sai da barriga da mãe,
Para um mundo lindo,
Que só criança sabe ver

E que quando cresce,
Aos poucos vai perdendo,
Aquela coisa que faz,
A gente bonita.

Minha avó era linda,
Pois sabia que a ternura,
Era desgastada pelo tempo,
Mas pode ser alimentada por dentro.

Ela me ensinou,
Que podemos crescer,
Sem perder a beleza da visão,
Que só criança sabe ter,
Porque guarda pureza no coração.

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Cinco Poesias Antigas – Dance, dançarina



20 de agosto de 2011

Por Matheus Colen

Mais uma poesia de minha gaveta. Essa é de 2006.

Dance, dançarina

Dance, dançarina, dance
Ajude-nos a esquecer da hipocrisia
Em que vivemos
Purifique nosso dia
Com seus movimentos
Faça-nos livres
Por alguns instantes

Dance e seja graciosa
Use seus passos
Jogue tudo na cara
De quem lhe assiste e de quem te vê bela
Na cara do que não pode ser
Na cara de quem não vê e não vive ela

Dance o suficiente
E não até cansar
Você pode sentir, e sente
Diferente da platéia que lhe assiste
Que vai embora contente
Para dormir a trabalhar

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Cinco Poesias Antigas – Alucinações Coletivas



19 de agosto de 2011

Por Matheus Colen

Achei nas minhas coisas cinco poesias que escrevi entre 2006 e 2008.

Resolvi postar aqui uma por dia. Aí vai…

Alucinações Coletivas

- Televisão
- Internet
- Cidade grande
- Multinacionais
- Orkut
- MSN
- Salário
- Dinheiro
- Responsabilidade de mais
- Responsabilidade de menos
- Chefes
- Ordens
- Amores verdadeiros
- Monogamia
- Poligamia
- Fidelidade eterna
- Certo e errado
- Bem e mau
- Igreja
- Publicidade
- Deus
- Racionalismo
- Id, ego e superego
- Interesses
- Oportunismo
- Escola, Faculdade e Ensino
- Mestre e aluno
- Moda
- Regras
- Leis e Advogados
- Coletivo e indivíduo
- Eu e você
- Mouse e teclado

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